CNECV nas comemorações dos 30 anos do Museu da Farmácia
O Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) esteve presente na conferência “Património cultural e ciência — Conhecimento que constrói o futuro”, que assinalou o 30.º aniversário do Museu da Farmácia, no dia 24 de setembro de 2026, na sede da Associação Nacional das Farmácias, em Lisboa. O Conselho fez-se representar pelos Conselheiros Carlos Maurício Barbosa, Pereira de Almeida, Paula Pinto Freitas e Maria de Lurdes Martins.
A conferência propôs uma reflexão sobre a relação entre património cultural e conhecimento científico, destacando o papel dos museus na compreensão das respostas que diferentes sociedades desenvolveram perante a doença e na transmissão desse conhecimento às gerações futuras. As comemorações valorizaram também a missão do Museu da Farmácia na divulgação científica e na promoção da literacia em saúde.
Nas comemorações do aniversário, o Museu apresentou uma nova peça do seu acervo: uma taça de casca de coco e filigrana de prata, dos séculos XVII/XVIII. Associada às propriedades terapêuticas e protetoras então atribuídas ao coco, a peça testemunha a relação entre medicina, ciência e crença ao longo da história. Na Época Moderna, o coco despertava grande interesse pela sua raridade e pelas propriedades curativas que se acreditava possuir. A sua origem, durante muito tempo rodeada de lendas, contribuía para o fascínio que exercia. Nos séculos XVII e XVIII, era procurado na Europa por nobres, colecionadores e boticários, que lhe atribuíam a capacidade de neutralizar venenos e proteger contra doenças.
João Neto, diretor do Museu da Farmácia, salientou a raridade e o valor excecional da taça. A peça passa a integrar o acervo ao lado de objetos como o chamado corno de unicórnio, as pedras de bezoar e os corais, testemunhos das crenças e dos recursos a que diferentes sociedades recorreram para tratar a doença e procurar a cura.



