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28-03-2025

Audições no Âmbito da rede nacional de cuidados continuados integrados

Na 299ª reunião plenária, que decorreu no dia 14 de março no Edifício Novo da Assembleia da República, em Lisboa, o Conselho Nacional de Ética para as Ciências da Vida (CNECV) ouviu os especialistas Abel Paiva (Coordenador da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados) e Miguel Narigão (membro da Coordenação do Programa Nacional para a Saúde Mental). 

A auscultação teve lugar no contexto do Parecer sobre o consentimento informado no âmbito da Comissão Nacional de Coordenação da Rede Nacional de Cuidados Continuados Integrados (RNCCI), em resposta a um pedido da Secretária de Estado da Gestão da Saúde, Cristina Vaz Tomé. 

A solicitação surgiu da necessidade de refletir sobre os direitos dos utentes, considerando os princípios de dignidade, privacidade e justiça distributiva, num cenário de repartição desigual de recursos e pressão característica das grandes áreas urbanas.

Na audição, Abel Paiva, doutorado em Ciências da Enfermagem, apresentou o panorama atual da RNCCI, a sua cobertura nacional, os problemas com que se debate e as perspetivas de desenvolvimento futuro. Para o coordenador da rede a reforma dos cuidados continuados deve integrar novas soluções. “Os cuidados domiciliários devem ser reforçados, seguindo o modelo dos países nórdicos, onde 65% dos doentes permanecem em casa com apoio adequado. Em Portugal, esse número não chega a 20%, devido à perceção generalizada de falta de suporte para manter os doentes no domicílio.” A inclusão da pediatria e o uso da tecnologia para otimizar os serviços são outros dos fatores a ter em consideração. 


Miguel Narigão, enfermeiro especialista em saúde mental, realçou que o consentimento informado na área da saúde mental é ainda mais complexo. As unidades de cuidados continuados englobam diferentes respostas: residências, unidades socio-ocupacionais e equipas de apoio domiciliário. Os problemas surgem quando utentes com doença mental grave não reconhecem a sua condição e resistem a qualquer forma de apoio.

Nestes casos, o trabalho dos profissionais é essencial para estabelecer uma relação de confiança e motivação para aderir ao tratamento. O envolvimento da família também pode ser um fator determinante. Em algumas situações, há preocupação por parte dos familiares, em especial quando a integração nos cuidados continuados implica deslocação para outra localidade.



Agência Digital