Rede Mediterrânica de Ética nasce com participação ativa de Portugal
A Rede Mediterrânica de Ética, com um foco particular no digital e na Inteligência Artificial, foi formalmente lançada durante o Fórum Mediterrâneo para a Inteligência Artificial (FMIA), que decorreu a 20 e 21 de novembro, em Tunis, na Tunísia.
Portugal, através do CNECV, este ano representado pelo Vice-Presidente André Dias Pereira, é um dos fundadores desta rede internacional e tem estado presente em todos os momentos decisivos.
Durante o FMIA, decorreu o II Encontro Informal de Conselhos de Ética do Mediterrâneo que reuniu Portugal, Espanha, França, Itália, Tunísia, Marrocos e a Comissão Europeia. O encontro multilingue (inglês, francês e árabe) contou com interpretação simultânea e centrou-se na ideia de que é urgente atualizar o curriculum escolar e reforçar a educação para o digital, garantindo que a ética na inteligência artificial ocupa um lugar central na formação das novas gerações.

Durante o encontro informal, foram também debatidos vários aspetos estratégicos para a região mediterrânica, nomeadamente a abundância de energia verde, em particular a solar, a importância das infraestruturas de transmissão de energia e o papel determinante dos recursos humanos qualificados.
Os participantes sublinharam igualmente a necessidade de estimular a criação de empresas capazes de impulsionar uma economia mais produtiva e inovadora que cumpra os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável.
Outro ponto abordado foi a relevância do grande pólo económico e cultural que une a Europa e o Mediterrâneo, considerado essencial para garantir equilíbrio nas relações internacionais, sobretudo num contexto em que os Estados Unidos lideram em capacidade computacional e inovação e a China domina a produção de tecnologias associadas à energia verde.
Neste cenário de acelerada transformação tecnológica, os contributos éticos foram destacados como fundamentais. As decisões que marcarão as próximas gerações exigem, segundo os participantes, um compromisso firme com os direitos humanos e com um desenvolvimento ao serviço de todas as pessoas e de todos os povos.
À tarde, teve lugar um workshop dedicado a ““Permitir a ética na inovação: estratégias para parcerias multissetoriais na área da inteligência artificial na região euro-mediterrânica””. Esta sessão permitiu um diálogo com representantes dos setores público e privado, jovens investigadores e membros da sociedade civil sobre as ligações entre inteligência artificial e inovação.

Os trabalhos foram coordenados pela Anna Lindh Foundation (ALF), com o apoio da Comissão Europeia, reforçando a ambição conjunta de promover a cooperação científica e a partilha de conhecimento.




